Castilho

Castilhenses faltam tanto às consultas quanto às audiências da saúde

Foto: Portal Castilho
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A Secretaria e o Conselho Municipal de Saúde realizaram mais uma Audiência Pública na Câmara de Castilho durante a tarde desta quinta-feira (1º) para informar aos munícipes e esclarecer dúvidas dos contribuintes sobre a aplicação financeira e trabalhos realizados pelo setor ao longo dos quatro últimos meses do ano passado.

Infelizmente, a presença da população foi decepcionante, limitando-se a cerca de 10 cidadãos, repetindo uma realidade que se arrasta há vários anos no município apesar da Saúde Pública ser o assunto mais comentado pelos castilhenses nas redes sociais.

Apesar disso, o nível das perguntas apresentados pelos munícipes presentes revela que parte da população tem se mantido atenta a tudo que acontece nesta área que consome a segunda maior fatia da arrecadação do Município.

De acordo com os números apresentados, pouco mais de 31% de toda a Receita dos Cofres Públicos municipais foram aplicados na área de Saúde, valor este duas vezes maior do que o determinado pela Constituição Federal.

Foram R$ 24,5 milhões aplicados em todo o ano de 2017, sendo que deste total, quase R$ 21 milhões são provenientes dos cofres públicos municipais.

NÚMEROS – A ausência da população não é uma exclusividade das Audiências da Saúde. Números perturbadores apresentados pelo Conselho Municipal de Saúde revelam que muitos castilhenses continuam deixando de comparecer às consultas agendadas tanto no Centro Integrado de Saúde quanto no AME de Andradina.

Das 9.975 pessoas que agendaram consulta médica no CIS entre os meses de setembro e dezembro do ano passado, 1.622 simplesmente deixaram de comparecer.

Já no AME, 3.123 consultas foram agendadas para os castilhenses ao longo de todo o ano passado. Deste total, 293 pessoas deixaram de comparecer, desperdiçando vagas cobiçadas por milhares de pessoas em toda a região de Andradina.

A ausência também foi registrada nos exames clínicos agendados: dos 1070 programados, 147 não foram nem anunciaram previamente sua desistência.

O absenteísmo (ausência) elevado é alarmante e preocupa as autoridades municipais. Questionada a respeito, a secretária de Saúde, Janini Nascimento, disse que ela e o Conselho Municipal de Saúde estão estudando medidas para punir e coibir estas faltas.

Uma das estratégias será a fixação de uma placa que registrará a quantidade de ausências registradas a cada mês.

A ideia foi implantada no AME de Andradina e começa a surtir efeitos positivos. Outra medida mais dura poderá ser a recusa de agendamento para casos recorrentes.

“Esta é uma medida disciplinar que não gostaríamos de adotar, mas é preciso fazer alguma coisa para combater as faltas antes que elas reduzam ainda mais a quantidade de vagas oferecidas aos castilhenses pelo AME”, desabafou Janini.

Esta medida, que também poderá ser aplicada futuramente na Central de Ambulâncias, ainda depende da aprovação do Conselho Municipal de Saúde.

AMBULÂNCIAS – Nenhuma outra cidade da região possui uma frota de ambulâncias e Vans como Castilho.

O motivo para este investimento elevado é a enorme extensão territorial do município, considerado o terceiro maior dentre todas as mais de 40 cidades que compõem a região de Araçatuba.

Com 13 assentamentos rurais, quase 50% de toda a população castilhense reside da zona rural. Só para se ter uma ideia, nos doze meses do ano passado, a Central de Ambulâncias realizou 22.868 transportes de pacientes somente dentro do município.

O número de viagens internas é maior que o de atendimentos feitos para outras cidades, que totalizaram 21.252 em todo o ano de 2017. Somando-se ambas, é como se cada castilhense tivesse utilizado uma ambulância pelo menos duas vezes durante o ano passado.

Toda esta logística de transportes custou aos cofres públicos mais de R$ 500 mil somente no ano de 2017.

MANIA DE DOENÇA – É muito difícil acreditar que o castilhense não seja hipocondríaco após tomar conhecimento da quantidade conjunta de consultas agendadas no AME e CIS mais os atendimentos registrados em todo o ano passado pelo Hospital “José Fortuna”. Duvida? Então vamos aos números:

Foram 3.123 agendamentos feitos para o AME; 36.022 atendimentos básicos e outros 17.884 consultas com especialistas marcadas no CIS, além de outros 46.799 atendimentos registrados pelo Hospital, totalizando nada menos do que 103.828 consultas.

É o mesmo que dizer que cada cidadão foi ao médico pelo menos cinco vezes no ano. Detalhe: estes números não incluem os atendimentos odontológicos realizados pelo Município tanto no CIS quanto nas escolas municipais e nem tampouco os atendimentos de cidadãos de outros municípios realizados pelo Hospital.

Agora imagine você que cada um destes pacientes deixe o consultório médico levando consigo uma receita com pelo menos dois medicamentos.

Não é à toa que toda a região surpreendeu-se com o anúncio feito recentemente pela Secretaria de Saúde de que a Farmácia Municipal possui um estoque de R$ 2 milhões em medicamentos.

Falando em remédios, Janini foi questionada sobre a falta de alguns deles nos estoques do Município.

A Secretária revelou e o Conselho de Saúde confirmou que o Governo do Estado reduziu significativamente a variedade de medicamentos enviados aos municípios e lamentou informar que não há previsão se estes voltarão a ser enviados e nem tampouco quando isso irá acontecer.

“O fato é que estamos tendo que nos virar”, desabafou. Se a postura do Estado se mantiver, Castilho que já paga quase 90% de todos os serviços de Saúde ofertados aos munícipes, também terá que arcar com mais uma parcela da já insignificante verba destinada a esta área pelo Governo Paulista.

Todos os dados divulgados na Audiência Pública desta quinta-feira serão disponibilizados na internet pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura que, em breve, também anunciará com antecedência as datas, horários e locais das reuniões do Conselho Municipal de Saúde, bem como as Atas registradas em cada uma destas sessões.

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